Do Centenário para a Redenção. Do Brique para a coleção.
Por: Yuri Victorino
Nas feiras de antiguidades se pode encontrar verdadeiros tesouros. Foi o caso destas duas peças compradas no Brique da Redenção. Nesta enorme feira se pode deparar com antiguidades, peças numismáticas e filatélicas, literatura, artesanato entre outras coisas curiosas. O Brique acontece aos domingos no Parque da Redenção em Porto Alegre. Os dois itens tratam da mesma temática: o Centenário da Revolução Farroupilha de 1935.
Imagens do autor
O Bilhete Postal é do “milagroso” Elixir de Nogueira, “O Grande Depurativo do Sangue”, anunciado inclusive como o único para a cura da sífilis. A fórmula foi criada pelo farmacêutico químico João da Silva Silveira, composto de nogueira, salsa, caroba e guáiaco, remédio aprovado pela antiga “Junta de Hygiene do Rio de Janeiro”.
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O sucesso do remédio, assim como tantos outros da época, deveu-se à massiva propaganda aliada aos “extraordinários” benefícios supostamente advindos do famoso elixir, que sempre fazia uso de testemunhos de pessoas que teriam recebido a cura com o uso do medicamento. Não poderia ficar de fora da comemoração no Parque do Centenário Farroupilha.
A medalha é uma obra do gravador M. Selle. Pouco se sabe sobre este artista. A peça é comemorativa ao 1º Centenário Farroupilha e traz a imagem de perfil, gravada no reverso, dos Generais Bento Gonçalves e Flores da Cunha. No anverso há brasões do Rio Grande do Sul dos anos de 1835 e 1935. Pesa 9 gramas, cunhada em bronze e possui 30 milímetros de diâmetro.
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A comemoração do Centenário da Revolução Farroupilha, em 1935, foi uma sucessão de grandes eventos durante o ano todo, fazendo Porto Alegre viver uma grande festa. O quase abandonado Campo (ou várzea) da Redenção foi transformado no monumental parque que abrigou a exposição farroupilha, com um lago artificial, um cassino, restaurante, dezenas de recantos atraentes e o impotente prédio da Escola Normal (hoje Instituto de Educação), que se tornou o Pavilhão Cultural da exposição.
A transformação da Várzea no grandioso parque que passou a se chamar Farroupilha, foi uma obra que demandou mais de dois anos. O plano foi do arquiteto francês Alfredo Agache elaborado no início da década de 1930. Em 2016, o Instituto de Educação, alguns monumentos e a fonte luminosa polarizando o eixo principal do Parque, são os poucos elementos que ainda lembram a exposição que foi um marco na história urbana e social de Porto Alegre.
O parque foi Inaugurado a 20 de setembro de 1935 com a presença do presidente Getúlio Vargas, governadores e representações diplomáticas de países vizinhos e da Europa. A Exposição Farroupilha recebeu um milhão de visitantes até seu encerramento em 15 de janeiro de 1936.
Revista “A Cigarra”, edição de 1923, Revista “A Lua”, edição de 1910, ambas disponíveis digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Acessado em 25/07/2016
Revista “A Bomba”, edição de 1913, Revista “O Malho”, edição de 1913, ambas disponíveis digitalmente no site da Biblioteca Nacional Digital do Brasil. Acessado em 25/07/2016